José Malcher Jr.

Eng. Software – Analista de Sistemas

Gestão estratégica de TI – Planejamento Estratégico de TI


 

A importância da TI para os negócios cresce de forma exponencial, na medida em que as empresas tornam-se a cada dia mais complexas e integradas.

As empresas hoje estão cada vez mais pautadas em soluções informatizadas, dependendo da infraestrutura, dos serviços e produtos demandados pela TI.

Um dos temas mais em pauta nos dias de hoje, quando se fala em planejamento estratégico, é a necessidade de alinhamento dos objetivos estratégicos com os objetivos da TI, de forma que os esforços demandados pela TI sigam ao encontro do que a empresa objetiva.

Dentro desse contexto, ferramentas como análise SWOT, Balanced Scorecard, apoiando planejamento e gestão estratégica de TI.


 

Planejamento estratégico na educação

Antes de começarmos a aula, leia o Artigo/Case relacionado: Artigo Veja – Planejamento estratégico também pode ajudar a educação.

http://veja.abril.com.br/educacao/planejamento-estrategico-tambem-pode-ajudar-a-educacao/

Observe a imagem do sistema de monitoramento de dados da Rede Municipal de Educação de Vinhedo (SP). Gráficos com desempenho dos alunos em sala são a base o planejamento estratégico da rede.

Com o recurso, gestores definem metas e ações que visam alavancar o nível de aprendizado dos estudantes (Heitor Feitosa/VEJA.com).


As estratégias da TI

As estratégias do negócio e as estratégias da área de TI precisam estar bem integradas, posto que a TI representa um papel estratégico nesse cenário disponibilizando produtos, sistemas, infraestrutura e serviços de TI que agreguem valor aos produtos e serviços da empresa, gerando vantagens sobre a concorrência, o que pode ser visto na ilustração apresentada a seguir.

Da mesma forma deve haver forte integração entre o planejamento estratégico empresarial e o planejamento estratégico da TI.

O planejamento estratégico da TI visa garantir que os sistemas, a infraestrutura, a base de dados e os serviços prestados pela TI à empresa estejam em consonância com o que a empresa necessita para alcançar seus objetivos estratégicos.

Paradoxalmente, o próprio planejamento estratégico empresarial deve ser realizado com uso da TI, através de sistemas complexos e analíticos, que reúnam dados de fontes internas e externas da organização e através de análises ajudem os gestores nas tomadas de decisão dos caminhos a seguir.

Como a área de TI hoje abrange muitas demandas e complexidade dentro da organização, o planejamento estratégico da TI é de fundamental importância para que a empresa consolide o seu planejamento estratégico empresarial. De uma forma geral, o Planejamento estratégico da TI abrange estratégias para lidar com:

  • Processos diversos da TI, como aquisição de ativos (servidores, estações de trabalho, estações mobile, impressoras e outros), de materiais de consumo, de infraestrutura de rede e Internet (equipamentos, cabeamento, backbone).
  • Processos de aquisição de software.
  • Processos de desenvolvimento de software.
  • Processos de soluções de TI.
  • Gestão do nível de serviços da TI.
  • Gestão da qualidade da TI.
  • Processos de suporte operacional da TI.
  • Gestão da segurança da informação.
  • Gestão dos recursos humanos de TI.
  • Administrar a performance e a capacidade dos recursos de TI.
  • Gestão da disponibilidade e continuidade das operações da TI.
  • Gestão das novas tecnologias.
  • Gestão das mudanças.

Conceito de planejamento estratégico de TI

O cenário dos negócios atual é imprevisível e de competição intensa, impulsionada pelo avanço das tecnologias, instabilidade econômica, globalização e governo atuante.

A expectativa do sucesso das empresas é definida essencialmente pela sua capacidade de se adaptar ao ambiente de mudança contínua e inovar, que dependem de suporte da área de TI.

Como visto na parte 1(Planejamento Estratégico) a importância da gestão e planejamento estratégico para melhor gerir os recursos da empresa em prol de seus objetivos estratégicos e que o planejamento estratégico tem seus desdobramentos para as áreas funcionais, incluindo a área de TI, através do planejamento estratégico de TI.

O planejamento estratégico da TI (PETI) é fundamental para a melhor utilização dos recursos, identificação dos riscos, indicação de medidas preventivas e/ou corretivas que amenizem as consequências desses riscos, mapeamento das oportunidades e benefícios alcançáveis, com os respectivos planos de ação.

Conforme ilustrado pela figura a seguir, o planejamento estratégico de TI deve estar em alinhamento com o planejamento estratégico do negócio, ou seja da corporação, através das seguintes correlações:

  1. Integração estratégica: alinhamento entre as áreas externas e internas da organização.
  2. Interação funcional: alinhamento entre a área de negócios e a área de TI, adequando as decisões da TI às decisões da organização.
  3. Integração e automação: integra as estratégias do negócio à infraestrutura e processos de TI e estratégias de TI à infraestrutura e processos do negócio.

O conceito de governança de TI

Nesse contexto, para ajudar no alinhamento entre as estratégias da empresa e a gestão da TI, surge o papel da Governança de TI:

  • Colaborar efetivamente com a Governança Corporativa.
  • Alinhar a gestão da TI com as estratégias da empresa.
  • Gerir melhor os recursos de TI.
  • Permitir à empresa alcançar seus objetivos, de forma eficiente e eficaz, possibilitando uma maior competitividade e melhores resultados nos negócios.
  • Garantir e apresentar aos stakeholders de forma simplificada e transparente os resultados da área de TI.

A norma ISO/IEC 38500 define Governança Corporativa de TI como:

“O sistema pelo qual o uso atual e futuro da TI é dirigido e controlado. A governança corporativa de TI envolve a avaliação e a direção do uso da TI para dar suporte à organização no alcance de seus objetivos estratégicos e monitorar seu uso para realizar os planos. A governança inclui a estratégia e as políticas para o uso de TI dentro de uma organização”.

A norma orienta que a governança da TI se dê através de 3 tarefas:

  1. Avaliar e medir o uso atua e futuro da TI.
  2. Orientar o desenvolvimento de planos e políticas para garantir que o uso da TI atenda aos objetivos do negócio.
  3. Monitorar o cumprimento das políticas e o desempenho em relação aos planos.

A Governança de TI é de responsabilidade da alta administração. A figura a seguir ilustra os principais benefícios, esperados pelas empresas, ao implantarem uma efetiva Governança de TI.

Conheça agora algumas das vantagens que podem ser usufruídas pelas empresas que conseguem, com a ajuda da Governança, a desenvolver um bom e alinhado planejamento estratégico na área de TI:

  1. Informações mais precisas e efetivas para melhores decisões.
  2. Maior velocidade, segurança e eficiência nas operações.
  3. Produtos de alto valor agregado e de elevada qualidade.
  4. Simplificação dos processos.
  5. Menor custo.

Custos e investimentos em TI

Os gastos e investimentos em TI oferecem benefícios para as organizações, porém devem ser refletidos em contribuições efetivas para o resultado empresarial.

Assim, os investimentos em TI devem ser analisados considerando esses benefícios oferecidos, o desempenho empresarial e as técnicas elaboradas para a avaliação desses investimentos.

Isso deve ser considerado na elaboração do planejamento estratégico de TI, e nos planejamentos derivados – planejamento tático e operacional.

Os gastos devem sem em função dos objetivos estratégicos e ser alvo do planejamento estratégico de TI.


Recursos da TI necessários para suportar decisões

No Planejamento de TI também se decide onde a organização quer chegar e quais os recursos da TI que serão necessários para suportar as decisões, representando o movimento de passagem da estratégia presente para a estratégia futura, através da apresentação de direções, concentrações de esforços, flexibilidade e continuidade dos negócios em áreas estratégicas.

Apesar de tratar os recursos técnicos, o Planejamento de TI difere do antigo Plano Diretor de Informática (PDI) que tem seus esforços mais direcionados para o plano de informática e seus respectivos recursos tecnológicos (REZENDE, 2002).


Análise SWOT aplicada à área de TI

O conceito de governança, tanto a corporativa como a de TI objetivam comunicar e direcionar as ações da empresa e/ou de TI através de mecanismos como missão, visão, gestão de portfólio, análise de riscos (forças, fraquezas, ameaças, oportunidades – Matriz SWOT) e ter o controle sobre seu desempenho e resultado, de forma a certificar-se de que se está no caminho certo ou se são necessários ajustes para que os objetivos sejam alcançados. Para isso, precisamos de indicadores que nos forneçam esse poder de controle.

A ferramenta denominada Análise SWOT visto na parte 1(Planejamento Estratégico) pode ser aplicada diretamente no planejamento da área de TI, para análise do cenário e com base na proposição das estratégias.

Vejamos exemplos pertinentes à área de TI, que podem ser usados nas análises internas e externas do ambiente em que a organização está inserida. A aplicação da técnica é a mesma vista na parte 1(Planejamento Estratégico), apenas o foco da identificação das forças, fraquezas, oportunidades e ameaças é que se volta para a área de TI.

Pontos fortes:

  • Conhecimento da estrutura e funcionamento da empresa;
  • Apoio à TI por parte da alta Administração;
  • Comprometimento da equipe de TI;
  • Autonomia no planejamento e na execução de projetos;
  • Tomada de decisões de forma participativa pela equipe de TI;
  • Compartilhamento interno de informações;
  • Liberdade de inovação e proposição de novas soluções;
  • Incentivo à participação em eventos da área de TI.,

 

Pontos fracos:

  • Quadro de Analistas e programadores em TI insuficientes em relação às demandas;
  • Sobrecarga de trabalho dos servidores (equipamentos);
  • Inexistência de redundância de dados e backup em ambientes distintos;
  • Inexistência de gerador de energia;
  • Pouca experiência profissional da equipe, em função de novas contratações de servidores;
  • Espaço físico inadequado;
  • Indicadores e metas em processo de formalização;
  • Políticas e normas formalizadas em processo de implantação;
  • Estrutura de funções gratificadas ainda não totalmente implementadas;
  • Falta de inventário de software;
  • Processos não documentados.

 

Oportunidades:

  • Planejamento da TI como área estratégica;
  • Parcerias com fornecedores de equipamentos e software, estratégicos para a empresa;
  • Novos clientes;
  • Modernização tecnológica;
  • Sofisticação dos recursos de processamento de dados.

 

Ameaças:

  • Plano de carreira dos cargos não específicos para a área de TI;
  • Remuneração defasada em relação ao mercado;
  • Aquisições de recursos de TI de forma descentralizada;
  • Falta de quadro funcional para implementar controle de qualidade;
  • Dificuldade de reposição de pessoal, em função de pouca atratividade de salários e benefícios;
  • Dificuldade de abertura de novas vagas para aumento do quadro de pessoal;
  • Definição pouco detalhada dos processos por parte das áreas demandantes dos serviços de TI;
  • Inexistência de um sistema de CRM para desenvolver e acompanhar o relacionamento com clientes;
  • Dependência de equipe terceirizada.

Balanced Scorecard (BSC) aplicado à área de TI

A TI, mesmo com a reconhecida importância na condução da empresa em direção a seus objetivos, em muitas empresas ainda entrega resultados incompatíveis com o esperado, gerando insatisfação. Alguns dos motivos que dificultam o alinhamento da TI com o negócio são:

  • Dificuldade de comunicação com os usuários de negócio.
  • Dificuldades de avaliar os reais benefícios gerados pelos investimentos.
  • Ausência de critérios para prioridade dos projetos.

As dificuldades que apontamos podem ser minimizadas com a aplicação da técnica do Balanced Scorecard, que visto na parte 1(Planejamento Estratégico), e agora direcionamos seu uso à área de TI.


Leitura adicional

Para saber mais sobre o Planejamento Estratégico de TI, leia o texto indicado:

Case de uso de análise SWOT para decisão de um investimento em TI.

https://imasters.com.br/artigo/16410/gerencia-de-ti/case-analisando-um-investimento-de-ti-com-o-modelo-swot/


O BSC será útil na identificação das estratégias de TI, na classificação em prioridades e ainda criação de instrumentos de controle que conjugados possibilita a gestão da TI e a entrega de real valor em seus produtos e serviços, alavancando o seu papel como parceiro estratégico para as áreas de negócio.

A imagem a seguir ilustra com clareza , que deve haver um desdobramento dos BSC aplicados na empresa, a partir do BCS corporativo, que define os indicadores, as metas e as iniciativas de cada uma das 4 perspectivas do BSC.

O mapa estratégico de cada nível de BSC também deve ser compatível com o mapa estratégico da corporação.


Para conhecer os desdobramentos dos mapas estratégicos.

http://pos.estacio.webaula.com.br/Cursos/POS764/docs/a02_t09.pdf

 

A figura 1 mostra a sequência de desdobramentos do Balanced Scorecard, a partir do BSC corporativo, para o Estratégico de TI e consequentes desdobramentos deste para os setores de TI de relevância.

Você poderá observar na figura 2 que possibilitar o desdobramento do planejamento estratégico e do BSC da organização para TI é fundamental para alinhar os objetivos estratégicos aos objetivos de TI, como pode ser observado pela figura 7, abaixo.


ATENÇÃO

É importante ressaltar que a área de Business Intelligence (inteligência nos negócios) está envolvida na aplicação do BSC, fornecendo os históricos dos indicadores (previsto e realizado), selecionados do Datawarehouse e Datamarts. Um projeto de BSC, aplicado à TI, não é trivial e exige um grande envolvimento da alta administração.


 

REFERÊNCIAS

Base: Pós em Engenharia de Software – Estácio (EAD), com várias adaptações e melhorias.

REZENDE, Denis Alcides. Tecnologia da informação integrada à inteligência empresarial. São Paulo: Atlas, 2002.

MANSUR, Ricardo. Governança avançada de TI. Rio de Janeiro: Editora Brasport, 2009.



Gestão estratégica de TI – Planejamento Estratégico de TI