José Malcher Jr.

Eng. Software – Analista de Sistemas

Engenharia de SoftwareArquitetura da informação e User Experiense – Histórico da Informação


O significado de informação

Vários autores já definiram informação, como podemos verificar em dicionários e sites específicos sobre informação. Desde sempre a informação esteve presente na história da humanidade como elemento de disseminação, transformação, atualização etc.

Com base em vários significados, informação pode ser sintetizada como “o resultado do processamento, manipulação e organização de dados, de tal forma que represente um acréscimo ao conhecimento da pessoa que a recebe”.

A arquitetura da informação

A arquitetura da informação passou a ser uma preocupação no processo de desenvolvimento de software e introduziu no mercado um profissional chamado de arquiteto da informação (AI), que passou a acompanhar a evolução e a forma de gerar informações para que se possa organizar da melhor forma possível o conteúdo do produto que será oferecido ao mercado. Sobre esse profissional falaremos mais tarde.

Desde que a humanidade existe, as preocupações em informar e em organizar as informações estão presentes. Segue um pequeno histórico da preocupação com a organização da informação:

  • Em 660 a.C., um rei assírio organizou tábuas de barro com o conhecimento da época.
  • Em 330 a.C., a biblioteca de Alexandria contava com uma bibliografia de 120 pergaminhos arquivados em estantes.
  • Em 1873, Melvil Dewey criou o sistema alfanumérico de Dewey como ferramenta de busca e acesso para vários títulos de livros numa biblioteca.

A evolução das formas de transmissão da informação

O ser humano sempre teve necessidade de transmitir informação, o que ocorria, nos primórdios, através de sinais, sons e gestos. Posteriormente, a introdução de caracteres tornou esse processo mais intenso e proporcionou uma maior quantidade de elementos na informação a ser divulgada, abrangendo um número maior de pessoas.

Com a evolução das formas de transmitir informação, alterações sociais, econômicas e até políticas foram incorporadas à vida das pessoas e instituições em todo o mundo no decorrer dos anos. Nesses casos, temos como exemplos rádio, televisão, jornal e computador.

Nesse processo, a internet passou a ser a grande responsável pela revolução da informação. Com o seu surgimento, no final dos anos 60 e início dos anos 70, a informação passou a ser compartilhada de forma mais intensa, estando disponível na grande rede de computadores e culminando na era da globalização, ou da aldeia global. O crescimento foi bastante acentuado e a rede de computadores passou a ter várias aplicações atreladas a ela.

O sistema mundial World Wide Web (www)

O sistema mundial World Wide Web (www) ampliou todo o potencial da rede de computadores em níveis de escala global e, em 1993, a Universidade de Illinois criou o navegador Mosaico, tornando possível o acesso à internet. A partir de então, o crescimento do número de computadores conectados foi extraordinário, conforme mostra a tabela abaixo – dados computados de 1989 até 2000.

Atenção

Tal evolução não parou mais e novos elementos foram incorporados à informação e à forma de divulgação, como hipertexto, multimídia, arquitetura cliente/servidor, garantindo uma comunicação segura e dando origem à “Sociedade da Informação”. Atualmente temos sistemas de indexação da informação que têm a finalidade de memorizar a parte pública da rede de computadores tendo as visitas aos sites como base e criando um levantamento de procura, o qual resulta em sistemas de busca.

A sociedade da informação

Sociedade da Informação, Sociedade do Conhecimento e Nova Economia são termos que surgiram no fim do século XX, atrelados ao termo Globalização. Essa sociedade tem como principal característica o processo contínuo de expansão e aprimoramento.

As novas tecnologias incorporadas à Tecnologia da Informação tornaram a informação o bem mais precioso dessa sociedade. Diante desse cenário, surge outro termo bastante usado atualmente: Gestão do Conhecimento.

A Sociedade da Informação e a gestão do conhecimento desempenham papel fundamental nas ações ligadas a assuntos acadêmicos, negócios, pesquisas etc., influenciando empresas, instituições de ensino, órgãos governamentais etc.

O uso de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC)

A Sociedade da Informação está ligada a uma ação multidisciplinar que influencia várias áreas de pensamento integrando o uso de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no sentido de compartilhar conhecimentos e competências para todos.

A reboque da Sociedade da Informação vem a “Sociedade em Rede”; representa uma sociedade estruturada por meio das relações dos setores produtivos com a educação.

Trata-se de um ambiente cooperativo que integra empresas diferentes em tamanho, missão e ramo de negócio. Tal integração é conhecida como sistema científico, tecnológico, industrial e social.

Tendo como base a evolução da informação, a forma de gerá-la e divulgá-la, a tecnologia da informação e o perfil do profissional de informação passaram a ter destaque.

Aumentaram de forma considerável empregos nas áreas de informática e telecomunicações frente a outros tipos de serviços, o que também possibilitou um ganho em relação à remuneração desse tipo de profissional.

O Brasil e a sociedade da informação

O Brasil elaborou uma proposta de Sociedade da Informação por meio de um documento denominado “Livro Verde da informação no Brasil”, com objetivos de um projeto ou proposta política. Tal movimento veio sob influência do desenvolvimento de Sociedade da Informação dos Estados Unidos e Europa.

O Livro Verde apresentava uma proposta de desenvolvimento de informática própria alavancando o crescimento da internet no Brasil. Foi criada pela Rede Nacional de Pesquisa (RNP), uma estrutura chamada backbone, que representava uma rede básica de sustentação envolvendo instituições e principais centros de pesquisas do país, assim como universidades e laboratórios para troca de informações via internet. Após esse movimento, o processo foi expandido também para o setor privado.

Atenção

A iniciativa do Livro Verde trouxe alguns avanços como ações de governo eletrônico, internet para pesquisadores e aumento da população com acesso à rede de computadores, serviços digitais prestados ao cidadão, interligação de bibliotecas, uso de arquiteturas abertas de software, tecnologia para pequenas e médias empresas etc.

Muitos outros benefícios e facilidades foram agregados à rotina das empresas e pessoas, que hoje fazem parte de um todo, representando a Sociedade da Informação e do Conhecimento.

A arquitetura da informação e suas várias definições

A arquitetura tradicional é conceituada como a arte ou técnica de projetar e edificar ambientes habitados. Seu maior objetivo é a organização de espaços físicos. Para tal são observados fatores como meio ambiente, incidência de raios solares, umidade, clima etc.

Dentre várias definições sobre arquitetura da informação, uma das que mais se adequa é que “arquitetura da informação consiste no design de ambientes informacionais (qualquer sistema que inclua a interação com usuários, com o objetivo de resgatar ou trocar informações) compartilhados e resistentes à entropia, que vem a ser o estado de desordem natural de qualquer sistema, na ausência de uma força organizadora”.

Pela definição podemos perceber que a razão principal é a interação do software com o usuário e que esse tem a necessidade de obter informações por intermédio do produto que foi ou será desenvolvido.

Hoje em dia os sistemas de informação são parte integrante das empresas, assim como seus produtos ou serviços e sua missão. Portanto, tão importante quanto produção, máquinas e equipamentos, pessoal e demais componentes desse complexo, o software desenvolvido para a empresa deverá ser seguro e capaz de gerar as informações necessárias para as tomadas de decisões por parte dos responsáveis pela empresa.

Tendo todas essas observações como base, o processo de desenvolvimento de software passou a ser feito de forma a garantir que o usuário possa encontrar todas as opções de acesso e que o ambiente lhe seja familiar.

Atenção

Arquitetura da informação é a ciência de descobrir o que você quer que a aplicação faça e então construir um projeto, antes de iniciar sua construção. O termo Arquitetura da Informação foi empregado inicialmente por Richard Saul Wurman na década de 60.

Sua teoria era de que diante da grande massa de dados a que já estávamos sendo submetidos não teríamos condições de obter ferramentas suficientes capazes de transformar tais dados em informação. Já Louis Rosenfeld define a Arquitetura da Informação como “a arte e a ciência de organizar informações para auxiliar os indivíduos a satisfazerem as suas necessidades informacionais”.

Os sistemas mais complexos necessitam de detalhamentos mais explícitos, e para tal torna-se necessária a criação de modelos no processo de desenvolvimento. Algumas ações são necessárias como gerenciamento de conteúdo, criar interações entre usuários, planejamento de sistemas de banco de dados e projeto de design. A Arquitetura da Informação trata também da criação de uma estrutura coerente, que possa ser compreendida pelo usuário.

No projeto do produto a ser desenvolvido, a Arquitetura da Informação aborda a análise e o design do ambiente, assim como atributos e relacionamentos.

O arquiteto da informação

Em linhas gerais, o arquiteto da informação é responsável por definir procedimentos que possam estruturar de que forma as informações serão criadas, capturadas, armazenadas, recuperadas e descartadas dentro de um processo.

Na criação da informação, o arquiteto da informação preocupa-se em obter onde, de que maneira e por quem a informação será gerada. Na captura, abrange a busca de pastas de usuários, upload de documentos (sistemas web), recepção e armazenamento de material físico e gerenciamento de caixas de e-mails.

E, sobre o descarte, cabe ao arquiteto da informação levantar e aplicar políticas de retenção e descarte, garantindo que as informações fiquem disponíveis somente pelo tempo necessário. Esse profissional deve pensar de que forma o usuário interagirá com o ambiente criado.

Com base em aplicações web é necessária a organização de conteúdo de forma que o usuário possa ter acesso a todas as funções com facilidade e eficiência. O AI deve manter o primeiro contato com o cliente ou usuário para que o planejamento seja feito de forma a atender as suas necessidades.

Conhecer as atividades da empresa e manter contato com os dirigentes é fundamental para que o AI possa estabelecer de que forma o projeto se encaminhará e definir os layouts, banco de dados, links, design etc.

O arquiteto da informação se preocupa com questões que determinarão a qualidade com a qual a informação será gerada e consequentemente tratada pelos interessados. Tais questões são:

  • Criar protótipos baseados em padrões de interação;
  • Criar projetos que possam ter colaboração em redes online e offline;
  • Mapear modelos conceituais;
  • Atender as necessidades do usuário;
  • Criar design centrado em usuário web e com interatividade.

Em aplicações web, o arquiteto da informação deve cuidar da estratégica da estrutura do site, com adoção de práticas de design e programação. Deve também garantir que o conteúdo tenha relevância para o público-alvo e seja organizado e apresentado por meio de uma interface simples.

O arquiteto da informação transformará um ambiente de informação não planejado em um ambiente de informação planejado, preocupando-se com as características e necessidades dos usuários e também do conteúdo, evidenciando as informações mais importantes e retirando as que não são necessárias. Cabe também ao arquiteto da informação analisar os problemas mais comuns nos websites e como eles afetam a navegação e consequentemente os usuários.

Problemas como:

  • Ícones confusos;
  • Navegação inconsistente;
  • Sites desorganizados;
  • Resultados de buscas mal organizados;
  • Poluição visual etc.

No processo de desenvolvimento de um software, a equipe é composta por profissionais que cuidam, cada um na sua área, de aplicar as técnicas devidas para um bom desempenho do projeto e consequentemente a garantia da qualidade no produto final.

O arquiteto da informação prepara e molda o ambiente de forma que todo tipo de informação seja devidamente privilegiada e tenha seu espaço no momento e lugar devido, independente do tipo de informação, que pode ser texto, imagem, áudio, filme etc. Dessa forma, todas as pessoas ligadas ao desenvolvimento têm o suporte desse profissional para determinar a melhor maneira para a geração e a disponibilização das informações que comporão o projeto.


Lista de Exercícios de Arquitetura da Informação e UX – Lista 1

 


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